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domingo, 2 de novembro de 2025

Efêmera ilusão

 

 Vivi a vida com gratidão, cada minuto com emoção, erros e acertos, conquistas e anseios no coração. 

Cada instante vivido, em busca de sentido a desbravar, razões e incertezas conquistas e tristezas a declarar.

Amores e ilusões,feridas e paixões em vida a forjar, tenho muito a lamentar nas memórias póstumas revelar as contradições 

Errei sem lamentar, aceitei sem recordar as tentativas de encontrar justiça e contemplação, fui injustiçado sem razão na tentativa de acertar 

E o tempo agora está nas memórias a julgar minha efêmera extinção, só lamento em deixar a saudade a tragar os que levei para o caixão.

Mas no fim posso dizer, o dom da vida é viver, em seu senhor se proteger da eterna perdição e a salvação galardoar 

Me disperso por enquanto, aguardando nosso encontro quando a morte te buscares, e na lápide descansares do cansaço e pesar.



Autor: Daviel Campos 




















terça-feira, 8 de julho de 2025

Esperançar

 

Esperançar

Esperançar


Quando virá?

O ponteiro apressado anuncia

que pouco tempo me resta.

Quando chegares,

serei eu jovial

ou as cãs revelarão

o lenitivo da esperança?


O tempo dirá!


Quando enfim chegar,

encontrarás consciência

ou memórias a testemunhar

minha espera?

Se cedo ou tarde a esperançar,

tu dirás.


Assim vivo,

a cada ponteiro pretérito

vislumbro o futuro

sem murmúrio, a aguardar.

Que o dia será

a recompensa de contemplar

tua chegada.


Então dirás:

A esperança é mais que esperar,

é esperançar.


Esperançarei, a esperar tua chegada.

Jesus. 



Autor; Daviel Campos 


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Ente folhas e tinta

Ente folhas e tinta


Escrever é expressar  em metáforas e analogias, contraste e antagonia. É da voz ao papel vida e consciência ao pincel.

 Revelar o que se não pode tocar, deslumbrar e ostentar uma realidade intocável impalpável e  insondável.

É trazer ao natural o abstrato real, relativo em conjecturas sua natureza parcial.

É refletir em parábolas o que a língua não reproduz, em cada detalhe oculto o que os olhos contemplam.

É tocar com a imaginação a beleza revelada a razão em concepção o existir de um mundo universal a individualidade pessoal de cada escritor.

É imortalizar sua existência, beatificar sua docência, culturar sua presença temporal entre o imaginário e o real. 

É lembrar que existi e na história imprimi para a posteridade minha realidade incompreendida. 

É gritar aos quatro ventos sem arrependimento, que em meu breve momento de inspiração me revelei como sou.

Um escritor.


Daniel Campos


terça-feira, 29 de abril de 2025

Poesia: Máscaras do Eu


 


Máscaras do Eu

 

Eu, faces em construção,
metamorfose, evolução do eu.
Contemplar-me-ei em máscaras efêmeras,
a dissipar-se no olhar,
quem sou a cada face a revelar.
 
No palco do eu em construção,
consciência, percepção, interação,
ao moldar-se a cada instante,
inocência em concorrência com o pensar,
se perdeu no eu da transição.
 
Hormônios em evolução,
desejos desconhecidos precipitam no eu ardente,
adolescente, intransigente, inconsequente,
em cada agir sem distinguir o eu presente.
Começo a ver sob a lente do futuro,
o eu a relutar com o presente ascendente,
um novo ente que surgirá, deixando no passado das
ilusões o que fui um dia.
 
E, de repente, não reconheço o eu,
sombras me restaram na sepultura do passado,
sem perceber, as máscaras borraram e se fizeram
no que agora sou.

Sou eu mesmo o que sou?
Sou eu o que serei?
As máscaras que usarei no futuro do eu revelarei.
Se serei o que penso, não sei;
sei que serei máscaras do eu e direi
quantas máscaras usei.

Agora o espelho encararei,
e atrevido serei para argumentar com o eu,
se ainda haverá máscaras que o futuro trará.
É certo que sei,
independente da face que usarei,
continuarei a ser eu, com novas identidades e ambições.
 
Inconsequente ou não, não temerei;
em cada estação em minha coleção,
recordarei com emoção cada máscara que usei,
e não temerei lapidar o eu.
Assim, morrerei sem me esconder,
pois o túmulo contemplará meus restos sem máscaras,
e minha identidade finalmente surgirá.
 
Se desejas conhecer-me,
lamento dizer que não posso revelar
o que está por trás das máscaras.
Pois sou eu.
 

Autor: Daviel Campos

 

 

 


terça-feira, 8 de abril de 2025

Paixão


paixão

Paixão


É algoz que escraviza o eu,
Descontrolado erupção, irracional emoção.
Ditador do coração, inescrupulosa razão
Que aprisiona almas ingênuas.

Intransigente, incompassivo, irredutível em natureza,
Viva nas sobras para ocultar suas fraquezas.
Sem pensar, leva ao precipício escravos seus,
Veda-lhes olhos e razão, aprisiona corações.

Escraviza os sentidos, mergulhando-os em abismo,
Sem compaixão.
Se diverte em dominar sem algemas e celas
Sob sua tutela a presa.

A paixão é prisão aberta,
Só se liberta dela os que aprenderam a amar.
É veneno que inflama a razão,
Mata, suicida, mantém em presídio a liberdade do súdito.

Para dela se livrar é a alforria pagar,
Com o fogo abrasador que o verdadeiro amor pode doar.

Daviel campos

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Esperança


Esperança

É combustível para a alma aflita
É alimento para o estômago vazio, e certeza em dias sombrios.

É confinar no invisível, é descansar no impossível, e olhar para o alvo
É transpassar a razão em direção ao desconhecido, é olhar o infinito e contemplar que há de ser.

É lutar com o eu na batalha interior, é resistir sem fugir de si É manter a visão erguida sem retroceder, é lutar e vencer.

É como diz a pena inspirada, é ver com fé a realidade e sentir sob as mãos o resultado esperado.

É o bálsamo futuro, é batalha vencida, é sorrir para a vida.

É gritar em pleno ar e proclamar em ode a vitória em um novo ciclo de glória.

Esperança é parceiro presente, é fiel confidente.

É socorro do crente no momento de dor.
É salvador de almas contritas, vereda escondida dos desesperançados.
É a esperançar dos fortes.

Autor: Daviel Campos

sábado, 5 de abril de 2025

dia dos filhos

Dia dos filhos,poema de Joabe Nascimento

I

É um pedaço da gente,

Que se transformou num ser,

É um símbolo de amor,

Pedaço de bem querer,

Nossa representação,

Elo de amor e união,

Para o nosso bem viver.

II

Amor materializado,

Nossa herança aqui na terra,

Pra dá continuidade,

Quando nossa vida encerra,

Filhos são bençãos de Deus,

São os seguidores seus,

Filho é paz perante a guerra.

IV

Para proteger um filho,

Damos todo nosso amor,

Passamos por qualquer coisa,

Seja mais cruel que for,

Enfrentamos batalhão,

Sem uma arma na mão,

Saramos toda sua dor.

V

Todo mundo é um filho,

Nascemos dos nossos pais,

Já tivemos nossas mães,

Cuidando dos nossos ais,

Hoje cuidamos dos filhos,

Nao importa os empecilhos,

Nós os amamos demais.

VI

Parabéns pra todos nós,

Que somos filhos também,

Nossos filhos, nossos netos,

Amores iguais não têm,

Nesse dia abençoado,

Jesus nosso irmão amado,

Manda bençãos do além.


Joabnascimento 

Camocim-CE 05/04/25

D.A.R Lei 9610/98

sexta-feira, 4 de abril de 2025

A vida

A vida

A Vida 


É faísca que pulsa latente no ser,

é fagulha que incendeia o querer,

é expressão da beleza, perfeição,

natureza em todo viver.


É mistério a consciência em decadência,

é sentido escondido a razão,

é matéria-prima ilusão.


É mar que escoa nas penhas rochosas,

é fio em navalhas em tempo sombrios,

é tempo perdido as margens do rio.


É ser sem saber na razão do viver,

é correr e lutar a espera de alcançar

o que se perdeu.


É vassalo do tempo, escravo tormento

em cada momento ao respirar,

e sorrir e chorar,

é pular e gritar em busca do lar.


É da filosofia o pensar, sem sentido

chegar a conclusão,

pó ao vento que espalha

no tempo sem recordação.


É neblina esperça aos olhos tristeza

por natureza depravada

sem esperança alcançada

no final da espada a sepultura.


É o fim inesperado para o viver atormentado

em profunda incerteza,

é olhar pra dentro e descobrir

que o tempo já chegou ao fim,

e o que resta é o nada.


Mas, por outro lado, sem ser avexado,

se pode ver que a vida é,

em seu mais precioso sentido,

o resultado de amor desprendido,

livre para ver que seu autor,

ao morrer, lhe deu sentido.


A existência é uma pequena partícula

da fonte da vida

que se revela de forma bela

ao coração.


É a expressão de Deus.


Autor: Daviel Campos

Dedicação a minha amada Lidiane

Lidiane

Dedicação a minha amada Lidiane

I

Quando a vi, não tive dúvidas, que te queria.

O coração consumia no olhar

A cobiça de querer-te.

II

Tinha certeza que contigo casaria,

Como se fosse uma visão teofania.

Era loucura a mente, desejo ardente por conhecer-te.

III

Teu nome não sabia, mas cogitava a alegria de declamá-lo gentilmente.

Ao som do vento, harmonia,

Em tom lírico cantaria,

Tua graça amada minha.

IV

Seria correspondido ao sentimento

Atrevido de cobiçar-te em delírio?

Senti teu perfume roubado do vento,

Em um breve momento, ter-te-ia

Naquele dia, sem conhecer-te formalmente.

O relógio apontava lentamente,

Registrando na mente tua formosura latente.

V

Foi uma miragem o que contemplava,

Foi um sonho impossível,

Foi uma ilusão do olhar,

Aquela que estava a contemplar?

Foi amor, ou paixão,

Foi um vulcão de emoção a precipitar-se.

VI

Naquela tarde, descobriria

Que desfrutaria teu amor,

Porto da vida,

Foi num olhar recíproco

Que entrelaçaria nosso coração

Numa canção.

VII

Os anos passaram desde então,

E nossa união tão forte está

Como no dia que conheci-te.

Foram momentos diversos,

Dores e alegrias

Que o tempo fortalecia

Nossa cumplicidade.

VIII

Somos um em dois,

Somos protagonistas de nossa história,

Somos água e fogo,

Frio e calor,

Somos um para o outro,

Eterno amor.

Autor: Daviel Campos


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Solidão

Solidão, poema de Daviel campos


Solidão

solidão, é presídio d'alma,

Calabouço da mente, tortura velada. Alegria algemada num grito inocente,

Casa abandonada, como sepulcro enfeitado

À vista da gente.

É instrumento sem cordas,

Canção sem notas, harmonia ausente.

Solidão é caminho sombrio,

Guia maligno que conduz ao abismo.

É gritar no vazio, como andarilho no frio

Sem aconchego e calor.

É esperança vencida, numa vida perdida

Sem perspectiva, é morte em vida.

Que se esvazia sobre os dedos, rumo ao chão,

É um hino fúnebre, a canção.

Solidão é companheira fiel,

Que só a morte separa, é chamas que queimam a alma.

É algoz imbatível, que tortura suas vítimas

Sem compaixão e misericórdia.

É dominador de almas, torturador de vidas,

Implacável em suas investidas.

É covarde e atrevido, só domina os oprimidos

Sem forças para revidar.

É pretensioso e altivo, oportunista.

Se proclama dominar dos fracos e indefesos.

Mas tudo isso é para esconder o medo

De ser confrontado com a alegria.

Dela se esconde, noite e dia,

Como uma de suas vítimas.

Porque a alegria tudo conquista,

E para não se sentir solitário,

Aprisiona pobres almas em seu enredo calado.

Mas um dia ela será a vítima

Que já fez, quando a luz da alegria brilhar

E a prisão soltar aqueles que lhe serviram.

Solidão.

Daviel Campos 

terça-feira, 1 de abril de 2025

Percepção

 
Adão

Percepção

Sob a relva estava eu a despertar, o som do ar fluía os pulmões.

Coração batia em simetria a vida que latejava nas veias, conduzindo o corpo numa latente propulsão à matéria.

Podia sentir sob a pele uma interação constante aos sentidos. De repente ruídos quebravam o silencio, revelando a audição sua função.

Agora podia ouvir a doce melodia que me envolvia.

 Num reflexo ligeiro, surgiu um bom cheiro, eram as narinas como bailarina acompanhava a flagrância.

Experiência marcante, que revelou em instantes a razão.

 Pude então entender, que a cabeça, era o centro de comando, e assim permanecia estático sobre algo que não podia descrever.

 Pois a consciência sem conseguir ver, ocultava aos olhos por assim dizer que eram eles os responsáveis de contemplar o que havia de ser.

Foi num fleche que tudo se revelou um clarão que trouxe à razão a revelação dos olhos sua aparição.

Os elementos aguçados sem gesto e interação permaneciam calados em comoção.

Então as cordas vibrando, com o ar dos pulmões, revelou uma nova função.

 Em harmonia com audição, em comando da razão, romperam-se o timbre no ar, quebrando o silencio a boca ao falar.

O tato seguia com consideração a voz em articulação.

 E finalmente, tudo se ajustava sob os pés a base dos elementos a sustentação em sentido vertical em orgulhosa ostentação.

Assim, a vida surgia no sexto dia, com palavras de bom dia dizia.

Seja bem vindo meu filho Adão.

By, Daviel Campos

segunda-feira, 31 de março de 2025

A curva que a poesia faz

   


  Na parábola espiral a contragosto da tua vontade deslizo e escorrego junto à gravidade

     Desafiando mais uma estação chuvosa

     Meus arames e grampos de aço denunciam o meu cansaço

     As flores sufocadas de tanta chuva meus dedos enrugados feito o plástico de uma luva 

     As curvas da rua as fases da lua e o piche do asfalto leva embora o barquinho de papel 

     A cidade escura dentro de um eterno breu Os bairros agora em silêncio mortal

     O caminho é estreito a estrada carrossal  

     Tudo que parece perene morre de uma forma virginal 

     Pois a eternidade Zomba de nós numa piada imoral 

 By Ivan Araújo

terça-feira, 4 de março de 2025

Filhos da Terra: Uma Ode à Cultura Camocinense

 Filhos da Terra: um retrato da cultura cearense

     Olá, amigos escritores e entusiastas da literatura! Hoje, quero compartilhar com vocês uma verdadeira pérola da literatura local, isto é, de Camocim. E quem nos dará o prazer de inspirar-nos com sua obra é "o mais novo memorialista camocinense", docente, escritor, cantor, sonetista, homem simples, porém com um intelecto admirável. 

    Raimundo Arnaldo de Carvalho, fruto da terra, "cabra macho da mulesta", com fé inquestionável e caráter ilibado, desde a juventude propôs servir sua terra, como docente, forjando jovens e adolescentes para o futuro de Camocim. Em sua obra "Filhos da Terra", nos traz à memória e ao coração boas recordações de personagens genuinamente camocinenses que ficaram imortalizados em seu texto.

     Num tom inclusivo, descreveu em seu estilo ilustres personagens de todas as classes sociais de nossa bela cidade, destacando suas qualidades peculiares e únicas, o que fez com que se tornassem na memória popular esses personagens imortais. Espero que vocês gostem dessa obra maravilhosa e sintam-se tocados com as lembranças desses "filhos da terra".


Raimundo Naldo

Sobre o autor:

      Raimundo Arnaldo de Carvalho Conhecido como Naldo, filho de Dona Antônia Maria de Jesus e Francisco Assis de Carvalho. Em 2002 fui graduado em Pedagogia pela UVA. Em 2005, ainda pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, concluí a Licenciatura em Língua Portuguesa. Em seguida, fiz Administração Escolar pela mesma Universidade. 

     Sou Pós-graduado em Psicopedagogia e atualmente estou cursando Graduação em Psicopedagogia pela Unicesumar. Professor desde 1990 pelo antigo Instituto São Judas Tadeu, que veio a se tornar posteriormente, Colégio Georgina Leitão Macedo, em Camocim.

     Lecionei na mesma instituição de ensino as disciplinas de Ensino Religioso e Arte Educação no Ensino Fundamental e Médio, bem como Língua Portuguesa no ensino Fundamental por mais de 25 anos. (fonte: Camocim-CE, julho de 2023 Raimundo Arnaldo de Carvalho (Naldo) 

"De acordo com o autor, Raimundo Arnaldo de Carvalho, a inspiração para a obra 'Filhos da Terra' veio de...


Capa livro Filhos da terra

 [....   Quando estava dando aula de português na Escola General Campos, ensinando o 9º ano, comecei a ler mais as coisas de Raimundo Bento Sotero, e fiz algumas aulas com os alunos ensinando a fazer sonetos, e dali passei um trabalho para os mesmos apresentarem.   Foi excelente! Depois levei o próprio Sotero à escola e levei os alunos ao pavilhão, onde os mesmos presenciaram uma palestra com R.B. Sotero. Lá li algumas poesias dele e algumas que os alunos fizeram.

        Foi uma noite incrível! E em 2007, escrevi algumas poesias bíblicas, que, por sinal, as perdi, pois não salvei essas poesias devido a um problema no celular. Então, recomecei em 2022 esse trabalho sobre os filhos da terra, que, de início, seria “Os Filhos Ilustres de Camocim”, com o passar dos dias, amadurecendo a ideia, mudou-se para “Filhos da Terra”.

      Minhas inspirações, portanto, vêm das aulas que lecionei em literatura, quando vi o classicismo e outras escolas literárias, e me apaixonei pela estrutura poética. Depois, vi bem de perto as obras de R.B. Sotero, e não deu outra: escolhi o soneto como forma poética, devido à dificuldade e à maneira como o soneto nos leva a concluir o poema. ]"

Falando sobre a obra Raimundo Arnaldo de Carvalho se expressou com essas palavras:

[...    Falar do povo deste lugar é falar de minhas raízes. Um povo marca do pelo sol forte, pelo vento que leva o canoeiro de mar adentro e traz carregando seus pescados. Falar do povo deste lugar é uma coisa quase sem explicação.   Só sente quem pisou fundo neste chão.. Pois, bem! Falar de Camocim é, por ventura, falar de umas pessoas que se tornaram personagens ilustres da história deste lugar. Homens que não fizeram coisas estrondosas, isto é, não construíram e nem in ventaram nada, mas foram e são um retrato de um povo feliz. Nestas poesias, falo de um povo com o qual me identifico, que considero ilustres Filhos da Terra...] fonte: Camocim-CE, julho de 2023 Raimundo Arnaldo de Carvalho (Naldo).

Falando das personagens o autor nos desafia a voltarmos no tempo e resgatar nas memorias a ilustre  imagem dessas figuras populares camocinenses.

[..    Assim, pois, desafio você, caro leitor, a perguntar: Quem nunca ou viu falar da Padaria do Zé Fonteles? Ou quem nunca comprou farinha, feijão e café na mercearia do seu Zé Onofre? Quem nunca cantou o Hino de Camocim e Hino de Bom Jesus nas comemorações de nossa cidade, obras estas compostas pelo Prof. Valmir Rocha

    Pergunto ainda, quem nunca ouviu falar do tio Nildo? Quem nunca ouviu falar do Lucimar, cabra dançador? Quem nunca ouviu falar por aí do Abel, bicho famoso? E quem não lembra do seu Antônio Basílio, maestro da Banda do Instituto São José e da Banda Embalo Jovem? 

     Ah, meu povo! Por acaso há quem não se lembre de Evamar Moreira, primeira pessoa que gravou um disco (compacto) aqui em Camocim? Quem não se lembra do Ubiratan vendendo seus discos de vinil, fitas cassetes etc. no centro da cidade? Quem nunca foi ao mercado comprar um franguinho no sr. Zé Os valdo, no Mercadinho do Frango?

      Quem não conheceu seu Chico Pe dro, Zé da Guerra, Mimosa, Lucimar... E quem nunca se deparou com o Pedro Mudo, uma figura marcante da nossa cidade]fonte Camocim-CE, julho de 2023 Raimundo Arnaldo de Carvalho (Naldo).

E por fim destaca em um trecho seu orgulho de retratar no poema os verdadeiros foilhos da terra.

[     Então, meu livro fala, de forma bem individual e peculiar, a cada personagem deste povo através de um soneto, uma poesia clássica de versos simples; de uma linguagem não muito rebuscada, compreensível, sem muitos apelos das escolas literárias tradicionais, porém, fácil de en tender e simples, igual ao povo humilde e singelo de Camocim. Ah! Tanta gente pra falar, viu!

     Peço desculpas a tantas outras pessoas sobre as quais deixei de falar nesta edição, mas ficarei atento para noutras possíveis oportunidades acrescentar mais pessoas, continuando este trabalho, que valoriza e faz jus à história de vida das pessoas importantes para a cultura do lugar.]. fonte: Camocim-CE, julho de 2023 Raimundo Arnaldo de Carvalho (Naldo).

Trago abaixo dois trechos do sonetista, Raimundo Arnaldo de Carvalho (Naldo).


POVO DE CAMOCIM

Quem me dera poder me expressar E exaltar a vida e a arte deste povo nobre, humilde, rico, velho ou novo Quem me dera falar bem, elogiar.

 Quem me dera não deixar pra trás Algum nome inesquecível neste projeto Pessoas que eu sempre tive afeto Outras que eu conheci jamais.

E assim antes que eu seja julgado Pelos próprios personagens não falado Quero aqui me desculpar de antemão

 Quero aqui ser apenas uma voz Dos filhos que se fizeram um de nós Pra

serem lidos na futura geração.

 

Nesse poema, o autor nos apresenta um retrato de um verdadeiro filho de Camocim, vivo na memória e no coração dos camocinenses


AUGUSTO DENTISTA





       No tempo em que a saúde era precária Que as doenças assolavam muita gente e se acaso alguém sentisse dor de dente O jeito era arrancar sem vigília sanitária.

Dente doído é coisa insuportável Mas havia sempre aqui homens artistas No centro havia seu Augusto Dentista Um homem de boa índole, admirável.

 Tinha a política como uma paixão E os filhos a esposa no coração Pois em tudo sempre fez com amor.

     Fazia o seu oficio em meios as dores Nos deu muito filhos professores E dentre estes, saiu também um doutor.

conclusão 

"Em nome do blog, Vozes Locais, Raízes Literárias, agradecemos ao autor Raimundo Arnaldo de Carvalho pelo excelente trabalho que perdurará para além do tempo. Sua memória, assim como a daqueles a quem ele sabiamente imortalizou em seu livro, ficará viva. Obrigado por manter viva a chama da letra e a memória da história."

 

      E, se você deseja conhecer mais sobre o autor e sua obra, então o convido a ler “Filhos da Terra” e segui-lo em suas redes sociais."

Facebok: Raimundo Carvalho

"Para mais informações sobre a obra (Filhos da Terra), consultar a ficha técnica."

Rua Maria da Conceição P. de Azevedo, 1138 Renato Parente - Sobral - CE (88) 3614.8748 / Celular (88) 9 9784.2222

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Coordenação Editorial e Projeto Gráfico Marco Antonio Machado Coordenação do Conselho Editorial Antonio Jerfson Lins de Freitas Coordenação Editorial da Série História Camocinense Carlos Augusto Pereira dos Santos Revisão Antonio Jerfson Lins de Freitas   

Não esqueça de deixar seus comentários e sugestões. Compartilhe este artigo com amigos para que mais pessoas possam se inspirar com a obra “Filhos da Terra”."



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Venha se apaixonar com as histórias literárias de Yasmine Figueiredo, uma autora Portuguêsa

 Olá, amigos escritores e entusiastas! Hoje tenho a oportunidade de compartilhar convosco um pouco dos textos maravilhosos de Yasmine Figueiredo. Tenho certeza de que irão se apaixonar pelo estilo literário dela e pelas aventuras dos personagens.



Seis meses no teu coração

Seis meses no teu coração

- Que desejam?
- Nada de especial, “estamos só a ver” … - respondeu o moreno com ar de quem avaliava a bonita moça que o enfrentava tão duramente.
 - Estou a trabalhar e não tenho disposição nem paciência para brincadeiras - respondeu Elisa, visivelmente aborrecida.
O olhar perplexo do seu interlocutor, mostrou a Elisa que este não esperava uma resposta tão inesperada e uma reação tão brusca e decisiva, especialmente de uma pessoa com aparência tranquila e doce, como ela tinha. Até mesmo ela, se surpreendeu de si própria, mas nem por isso cedeu, não lhe agradavam pessoas que feriam os sentimentos dos outros por simples diversão.
Na verdade, não lhe gostava os homens que apenas pelo facto de, serem homens, se achavam superiores e olhavam as mulheres como oportunidades de divertimento.
Refeito da sua surpresa, ele respondeu:
- Desculpe, não queria ofendê-la…
- Não lhe ligue – disse o amigo que vinha com ele, e que de longe assistia à cena, acrescentando – mas olhe que ele é casado!
- Não estou interessada na informação, pois não pretendo casar com ele – respondeu Elisa, mal disfarçando um sorriso. Sorriso que foi interpretado como descrença, pelo que o moreno prontamente lhe mostrou o Bilhete de Identidade, onde Elisa leu que seu nome era Jorge e leu também o estado civil de Jorge..."

o reencontro
Seis meses no teu coração - O reencontro

Raul encheu o peito de ar e iniciou contando a Elisa que Valentina era uma colega de trabalho…
Quando terminou de falar, Elisa estendeu a mão para ele. Colocando as mãos do filho entre as suas, disse olhando-o seriamente:
- Pelo que me contas, essa moça está a fazer-te bem. Vejo um brilho de entusiasmo no teu olhar quando falas dela. Tem cautela, tenta conhecê-la bem. Quando tiveres a certeza dos teus sentimentos, abre o coração para ela…o pior que poderá acontecer é ela sair correndo – disse Elisa rindo
- Mãe! Eu tenho sentimentos! – disse Raul com falsa indignação, entrando também na brincadeira da mãe.
Elisa tinha um sentido de “humor refinado”, como Raul costumava dizer. Mais uma vez conseguiu falar algo sério com aquele toque de sarcasmo tão próprio dela.
- Falando a sério…pelo que me contas eu acho que ela gosta de ti! Nunca magoes o coração de alguém que é inocente, por isso o que te digo é que vás com cautela e se perceberes que é a mulher indicada para ti, então avança…não percas mais tempo…a vida é muito curta! – neste ponto da conversa, a voz da mãe adquiriu um tom triste e melancólico.
Raul beijou as mãos da mãe com carinho.
- Não fiques triste, mãe. Vou fazer como dizes, e se ela for “a mulher”, aquela que é “a certa”, farei questão que a conheças!
- A “nossa” casa estará aberta para a tua escolhida também!
No resto da semana, Raul sentiu-se mais leve por ter desabafado com a mãe. Sentiu-se também mais confiante com a autoanálise que fez das suas atitudes e das conversas que tinha tido com Valentina...
linha do equador

Sobre a Linha do Equador
Ema levantou-se visivelmente aborrecida, tinha passado pouco mais quatro dias desde que chegara à ilha, mas as contrariedades não paravam de aparecer. Já se tinha apercebido do cinismo e falsa preocupação com eles, por parte do casal que geria a empresa ali. Tudo o que falavam, era um “mar de dificuldades”, nunca tinham uma conversa construtiva com eles, nem lhes transmitiam nenhuma segurança, sendo que tanto Ema como Cristiano eram seus conterrâneos recém-chegados ao país, mas isso para os dois não fazia a mínima diferença.
Nessa tarde quando chegaram a casa, Cristiano contou que se iria mudar no próximo fim de semana para o anexo ao fundo do quintal. Ema foi com ele, para ver as novas instalações do colega, era composto de um anexo fechado, onde estava um frigorifico, um lava louça, um WC com Chuveiro, e uma divisão contígua com pouca luz natural que se destinava ao quarto. Cem euros por aquilo? – Ema pensou que era um disparate, mas nada disse a respeito.
Todos os dias cada um deles entregava cem mil dobras a Maria, para ela poder comprar os ingredientes para fazer o almoço deles. Nunca havia troco, nem se prestavam contas do valor do que era comprado…assim era em São Tomé. Ficara a saber que muitas “empregadas” cozinhavam a mais para levar para suas casas e alimentar as suas famílias, claro que à custa dos “patrões”!
Numa dessas manhãs, quando pararam para tomar café na Pastelaria Central antes de irem para a empresa, e não suportando a pressão com a questão da casa que parecia ter-se tornado o assunto favorito de Ana e Marcelo, Ema levantou-se da mesa e dirigiu-se ao balcão:
- Desculpe D. Hilda – disse Ema para uma das proprietárias portuguesas da Pastelaria Central, senhora que lhe parecia ser a mais cordial e acessível...




Menina que corria atrás
A menina que corria à solta com a sua imaginação
A lebre parou de lançar biscoitos para dentro do bule e olhando Rayza fixamente, perguntou-lhe:
- Pressa de viver? Será que ele quer morrer mais depressa? – e dizendo isto, voltou â sua tarefa anterior, mas desta vez, atirava os biscoitos para dentro das chávenas vazias, já que o chapeleiro louco continuava a verter o chá para os pires meticulosamente, o que deixava Rayza mais ansiosa pela resposta.
- Todos temos a mesma quantidade de tempo…depende da forma como o gastamos…é tudo uma questão de perspetiva. – Falou por fim o chapeleiro.
-Perspetiva? O que queres dizer com isso?...


desassossego
Desassossegos - Contos, Poemas e Prosas

Agressão!?…Não!

Porque ergues a tua mão,
suplicando por carinho
quando devias dizer “não”
e iniciares outro caminho?
  
Por que te prendes em vão
a uma existência ruim,
agarrando-te à ilusão
que “ser mulher, é viver assim!”
  
Educaram-te pra seres mãe e boa companheira
e do teu homem suportares,
traições, maus tratos e bebedeira.
  
Os teus filhos irão crescer
num perverso ambiente
e com esse modelo viver,
uma vida pouco decente.
  
Nas mãos tens a solução,
a violência não os deixes ver,
humilhares-te não é opção
porque em paz merecem crescer....
 
 



Fuga ao passado
Fuga ao Passado

Ema ficou sozinha meditando… cada vez tinha mais certeza que aquele homem, era para ela um completo desconhecido, e toda a sua verdadeira face, ou pelo menos aquela que ele agora lhe revelava, era absolutamente detestável para ela. Desprezava profundamente os homens mulherengos que não tinham um pingo de vergonha na cara.
Chorou, chorou muito às escondidas. Chorou pelas agressões sofridas, pelas palavras duras que ele lhe “atirava” e a feriam como se fossem pedras. Chorava agora também pela infidelidade dele. Ser fiel é ter caracter! Não é apenas não cometer atos obscenos, é também não pensar de forma libidinosa, e sempre que pensava no assunto dava-lhe ansias de vomitar.
Deixou passar uma semana, até ganhar coragem para ir a uma obra falar com José. Este era um colaborador que ela conhecia bem, e para cujo casamento ela tinha sido convidada. Ao avistá-la José sorriu, e parou o que estava a fazer. Ema aproximou-se:
- Boa tarde José, já está de saída? – perguntou
- Sim – respondeu ele – é só lavar estas ferramentas, e já vou embora
- Não vou demorá-lo José, sei que tem que ir para casa! Gostaria que me respondesse a uma pergunta com toda a sinceridade, pode ser? – disse Ema em voz mais baixa e aproximando-se mais dele, para que os outros empregados não escutassem a conversa deles
- Diga lá Ema, se eu souber responder... – disse ele com curiosidade
- Sabe de certeza! Alguma vez ouviu dizer, ou assistiu ao Manuel a dirigir-se de uma maneira menos própria para as meninas que passam para o liceu? – perguntou.
José ficou de olhos baixos, e Ema viu claramente que ele estava embaraçado. As palavras que lhe escutou proferir eram contrárias à expressão do rosto dele. Evitava encará-la!...

Lágrimas de mulher


Teresinha com apenas sete anos, sentia a confusão, o medo e a vergonha invadirem-na. Não percebia bem o que estava a acontecer, mas pressentia quer era alguma coisa má, senão o Primo Joaquim não lhe tinha pedido que guardasse segredo sobre o que lhe tinha feito.
Desde que entrara na escola primária, era ele que a levava a ela e à irmã para a escola, e depois as ia lá buscar sempre que isso fosse possível para ele. Ele tinha vindo para Lisboa aprender uma profissão e por isso ficara hospedado em casa da sua tia, que era também a avó de Teresa. Já lá vivia outro primo, o Francisco, mas esse era mais velho que o Joaquim e dava-lhe a comer a sopa, ao mesmo tempo que lhe contava histórias que a deliciavam e a faziam esquecer a sopa que acabava por comer contrariada.
Algumas vezes quando se encontrava sozinho com ela, Joaquim tocava no corpo dela e, ela fugia-lhe. Hoje tinha colocado a mão dentro das cuecas dela depois de a sentar nas pernas dele, Teresinha tinha conseguido fugir dele, mantendo a mesa da sala de jantar entre os dois.
-Não tenhas medo. Eu gosto muito de ti, só quero fazer-te carinho!
Teresa era uma criança tímida e assustadiça. Sentia-se desconfortável perante aquela atitude dele que não compreendia bem.
- Eu não quero! – disse assustada....

nuvem de guerra
Nuvens de Guerra

Valentin Von Heildelberg, recordava o dia e lugar onde tinha visto Amélie pela primeira vez, quando ouviu bater na porta da saleta. Imbuído que estava nas suas recordações, sobressaltou-se um pouco com o som das batidas e exclamou:
- Entre!
Gael assomou na entrada, dizendo:
- Perdão, mas acabou de chegar meu sobrinho Herr Rolf Hahn, para falar consigo! Posso fazê-lo entrar? – perguntou
- Claro que sim! – disse Valentin, levantando-se da sua poltrona favorita junto à janela, e avançando uns passos pelo escritório em direção à porta.
Gael introduziu na saleta, um homem magro, pálido e de olhar vivo e inteligente. Tinha algumas parecenças físicas com Gael, quando este era mais jovem. Apertaram as mãos e o aperto do homem era firme e decidido, o que agradou a Valentin.
- Sente-se por favor, Herr Hahn! – exclamou Valentin, indicando-lhe uma poltrona perto daquela que ele mesmo ocupava.
- Muito obrigada por me receber Herr Von Heildelberg! – disse o homem em voz agradável enquanto se sentavam...

Regresso ao Passado


Sentada em frente da Dra. Cristina, desta vez apenas se encontravam as duas no gabinete, Ema iá estendendo-lhe por vez vários documentos, que depois de examinados eram colocados pela advogada, numa pilha sobre a secretária.
- Aqui estão os comprovativos das despesas que paguei quando cheguei a Portugal, dividas que Manuel originou em meu nome. A conta de telefone que deixou de pagar, dois meses após eu ter partido. A conta de supermercado, que ele nunca pagou, e que teve como origem o gasto do plafond do meu cartão do supermercado, cartão que após a minha partida, foi-lhe enviado por correio, em meu nome, juntamente com o pin respetivo, e ele usou abusivamente para compras que fez na altura do natal de 2003, note-se que eu viajei em outubro do mesmo ano. A conta de telemóvel, que se comprometeu a pagar para que eu pudesse falar com os meus filhos, mas que nunca pagou. A conta de uma enciclopédia que adquiri para os meus filhos estudarem, e que ele jamais pagou as prestações. Tem aqui uma relação dos bens que ficaram na casa de família, eletrodomésticos e afins. Outra relação de toda a maquinaria, ferramentas e outros materiais pertencentes à empresa e, que ele, em grande parte, já alienou sem meu consentimento. Tem aqui o comprovativo da colocação, por ordem dele, do meu cartão de débito em lista negra sem que eu o tenha pedido, e com a cumplicidade do gerente da agência, no Banco de Investimento.
- Meu Deus, o carácter do seu marido é inqualificável – disse a advogada
- Perdão Dra., permita-me discordar, o meu marido não tem qualquer carácter, nem sabe o que isso é – continuou Ema, aparentemente imperturbável – sobre esse assunto, tenho a dizer-lhe que há dois meses entrei numa agência desse banco, e pedi ao caixa que me confirmasse o estado do meu cartão de débito, após me ter identificado. Foi ele aliás, que me imprimiu, a meu pedido esses dados. O cartão estava em lista negra, mas não consta, como pode ver, qualquer motivo para tal fato. Entretanto como a conta é solidária, ele perguntou se eu queria que me emitisse outro cartão, então perguntei-lhe se a conta estava provisionada, e respondeu-me afirmativamente.
- E o que fez? – perguntou a advogada curiosa...

Samuel, o tigre
As aventuras de Samuel, o tigre (7 contos)

-Boris, lembras-te de quando foste a minha casa e conheceste os meus pais?
-Perfeitamente! - respondeu Boris com um sorriso.
-Disseste-me que gostaste muito de falar com eles e que te pareceram ser pessoas impecáveis, não foi?
Boris que se encontrava atento à conversa de Nina, caminhando com ela tranquilamente em direção ao lago, ao se aperceber que algo perturbava a amiga, parou olhando fixamente para ela.
-Que se passa, Nina? Queres contar-me o que te está a preocupar?
-Hoje, antes de vir ter contigo, discuti com o meu pai!
-Nina, o que se passou?
-Não sei bem! Às vezes parece que não falamos a mesma língua!
-Porque dizes isso?
-O meu pai só ralha, Boris! – Respondeu – é injusto quando diz que não faço nada do que me mandam fazer. Por exemplo, eu tinha acabado de ajudar a minha mãe e ela tinha dado permissão para eu vir a tua casa. Chega ele, e começa a ralhar de me ver sair de casa…disse que eu não ajudo em nada!
- Disseste-lhe que tinhas estado a ajudar a tua mãe? Que ela é que te deu permissão para saíres?
- Não me deu oportunidade…e acabámos brigando…depois ao chegar a tua casa, vi o teu pai a rir e a conversar com a Samira no alpendre, o Sammy a brincar junto deles, tu e a tua mãe dentro de casa a arrumarem-na juntos - fez uma pausa para limpar uma lágrima – confesso que senti inveja da tua família, vocês parecem ser sempre tão unidos!...

Uma lição bem aprendida - Samuel, o tigre conto 1 


  • Olá Samuel! – disse Mia – Que tal estás hoje?
  • Muito bem! – respondeu Samuel – Sabes se chegou algum animal novo ao Zoo, para que eu possa ir observá-lo de perto?
  • Não, hoje não chegou nenhum novo membro – respondeu a coruja, e acrescentou – se isso acontecer, eu virei chamar-te, todos os animais devem receber o nosso novo amigo, é importante dar-lhe as boas vindas, enfim, fazer com que se sinta em casa! – terminou de dizer Mia, com ar pensativo.
  • Pois, pois! – respondeu Samuel - Boas vindas, pois bem! –  disse ele rindo.
  • Que queres dizer com isso? Quando os novos membros chegam a este Zoo, todos os animais se apressam a ir dar-lhes dar as boas vindas, e cada um de nós se apresenta. Não foi assim que aconteceu contigo no dia em que chegaste? – perguntou –lhe a coruja Mia, algo confusa.
  • Ah, não foi bem assim! – disse o Tigre Samuel – Confessa que todos correram até à minha jaula, incluindo tu Mia, para admirares a minha beleza, elegância e a minha pelagem raiada...

Melhor dois do que um- Samuel, o tigre conto 2


- Não achas um pouco cedo para irmos até à casa do Óscar, visitar o pequeno Sebastião?
- Qual cedo, qual nada! Vamos lá depressa porque o Óscar e a Zu já estão à nossa espera para nos apresentar o seu novo bebé.
Dizendo isto, Mia avançou voando rapidamente à frente de Samuel, enquanto ele quase corria no seu encalço.
- Não podes ir mais devagar? – Protestou ele – Estou quase a correr atrás de ti! Para quê tanta pressa?
- Ora Samuel, não perdes esse teu jeitinho resmungão! Com esse passo, quando chegarmos lá, já o pequeno Sebastião terá deixado de usar fraldas – disse Mia sem se deter nem diminuir o bater das suas asas.
 - Para quê tanta agitação? – continuou Samuel, sem perceber o motivo daquela pressa.
Sem ter tempo de dar qualquer resposta, Mia avistou Óscar e Zu, que mantinham o pequenino orangotango entre eles, e completamente embevecidos, admiravam o seu bebé de grandes olhos negros.