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terça-feira, 29 de abril de 2025

Poesia: Máscaras do Eu


 


Máscaras do Eu

 

Eu, faces em construção,
metamorfose, evolução do eu.
Contemplar-me-ei em máscaras efêmeras,
a dissipar-se no olhar,
quem sou a cada face a revelar.
 
No palco do eu em construção,
consciência, percepção, interação,
ao moldar-se a cada instante,
inocência em concorrência com o pensar,
se perdeu no eu da transição.
 
Hormônios em evolução,
desejos desconhecidos precipitam no eu ardente,
adolescente, intransigente, inconsequente,
em cada agir sem distinguir o eu presente.
Começo a ver sob a lente do futuro,
o eu a relutar com o presente ascendente,
um novo ente que surgirá, deixando no passado das
ilusões o que fui um dia.
 
E, de repente, não reconheço o eu,
sombras me restaram na sepultura do passado,
sem perceber, as máscaras borraram e se fizeram
no que agora sou.

Sou eu mesmo o que sou?
Sou eu o que serei?
As máscaras que usarei no futuro do eu revelarei.
Se serei o que penso, não sei;
sei que serei máscaras do eu e direi
quantas máscaras usei.

Agora o espelho encararei,
e atrevido serei para argumentar com o eu,
se ainda haverá máscaras que o futuro trará.
É certo que sei,
independente da face que usarei,
continuarei a ser eu, com novas identidades e ambições.
 
Inconsequente ou não, não temerei;
em cada estação em minha coleção,
recordarei com emoção cada máscara que usei,
e não temerei lapidar o eu.
Assim, morrerei sem me esconder,
pois o túmulo contemplará meus restos sem máscaras,
e minha identidade finalmente surgirá.
 
Se desejas conhecer-me,
lamento dizer que não posso revelar
o que está por trás das máscaras.
Pois sou eu.
 

Autor: Daviel Campos

 

 

 


terça-feira, 8 de abril de 2025

Paixão


paixão

Paixão


É algoz que escraviza o eu,
Descontrolado erupção, irracional emoção.
Ditador do coração, inescrupulosa razão
Que aprisiona almas ingênuas.

Intransigente, incompassivo, irredutível em natureza,
Viva nas sobras para ocultar suas fraquezas.
Sem pensar, leva ao precipício escravos seus,
Veda-lhes olhos e razão, aprisiona corações.

Escraviza os sentidos, mergulhando-os em abismo,
Sem compaixão.
Se diverte em dominar sem algemas e celas
Sob sua tutela a presa.

A paixão é prisão aberta,
Só se liberta dela os que aprenderam a amar.
É veneno que inflama a razão,
Mata, suicida, mantém em presídio a liberdade do súdito.

Para dela se livrar é a alforria pagar,
Com o fogo abrasador que o verdadeiro amor pode doar.

Daviel campos

sexta-feira, 4 de abril de 2025

A vida

A vida

A Vida 


É faísca que pulsa latente no ser,

é fagulha que incendeia o querer,

é expressão da beleza, perfeição,

natureza em todo viver.


É mistério a consciência em decadência,

é sentido escondido a razão,

é matéria-prima ilusão.


É mar que escoa nas penhas rochosas,

é fio em navalhas em tempo sombrios,

é tempo perdido as margens do rio.


É ser sem saber na razão do viver,

é correr e lutar a espera de alcançar

o que se perdeu.


É vassalo do tempo, escravo tormento

em cada momento ao respirar,

e sorrir e chorar,

é pular e gritar em busca do lar.


É da filosofia o pensar, sem sentido

chegar a conclusão,

pó ao vento que espalha

no tempo sem recordação.


É neblina esperça aos olhos tristeza

por natureza depravada

sem esperança alcançada

no final da espada a sepultura.


É o fim inesperado para o viver atormentado

em profunda incerteza,

é olhar pra dentro e descobrir

que o tempo já chegou ao fim,

e o que resta é o nada.


Mas, por outro lado, sem ser avexado,

se pode ver que a vida é,

em seu mais precioso sentido,

o resultado de amor desprendido,

livre para ver que seu autor,

ao morrer, lhe deu sentido.


A existência é uma pequena partícula

da fonte da vida

que se revela de forma bela

ao coração.


É a expressão de Deus.


Autor: Daviel Campos